27.4.06

o sono da liberdade

passei a tarde do dia 25 de abril a cuidar da mesa que tenho no terraço lá de casa. decapei-a com palha de aço e com um recuperador, depois untei-a com óleo de teca. tudo comprado no aki, que tem muita coisa para amadores como eu, apesar dos empregados serem antipáticos. antes, tinha podado uma planta trepadeira que morreu no inverno, com vãs esperanças de a fazer renascer.
a alternativa seria ver na televisão como os políticos conseguem fazer deste um dia mais chato que o 5 de Outubro ou o 1.º de dezembro. ainda passei pela sala para ver uma senhora dos verdes falar durante um quarto de hora de qualquer coisa de que já não me lembro. preferi tentar ressuscitar a planta.
ainda dirigi a atenção para o nosso presidente, que falava de como seria bom que os partidos se entendessem para ajudar os pobres. disse-o com ar de quem estava a falar a sério, e até foi muito elogiado (por todos os quadrantes como é costume dizer-se). optei pela palha de aço.
pelo meio sorri com a imagem do mário soares e esposa a dormirem a sono solto, como se não o fizessem há muito. fiquei com a ideia de que retratam o estado dos portugueses, 32 anos após os cravos: adormecidos por uma democracia parlamentar soporífera e sem ânimo para abrir os olhos.
luis nunes

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